sexta-feira, 18 de abril de 2014

A Galinha Chapadinha (+18).



Comida de criança ou publicidade abusiva?



Há poucos dias, uma Resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), publicada no Diário Oficial, considerou abusiva toda forma de publicidade direcionada à criança, incluindo a presença de personagens bonitinhos nas embalagens dos alimentos. Para todos os efeitos, passa a ser proibido estimular o consumo de qualquer coisa pelas crianças usando esse tipo de estratégia.
Como já era de se esperar, a iniciativa privada detestou essa história. Rapidamente vieram os marketeiros de plantão repetir aquela ladainha de que cercear a publicidade é atentar contra a liberdade de expressão. Uma ova! Liberdade de expressão é o direito de pessoas manifestarem opiniões e ideias. Não tem nada ver com direito empresarial. Publicidade não é opinião, não é arte; é comunicação mercadológica. E é óbvio que o mercado precisa funcionar dentro de determinados limites, senão vira a festa da barbárie capitalista. Toda criança mimada precisa de limites. As empresas também.
Só que esse pessoal não encontrou nenhum outro argumento para defender a publicidade desmedida a não ser essa pataquada. Os discursos em defesa da “liberdade de expressão publicitária” são ridículos, e eu já fiz até cena de teatro cômico com texto deles. É apenas comédia.
Mas o que interessa é que essa Resolução do Conanda é uma grande vitória dos defensores dos direitos da criança, entre eles o Instituto Alana, que eu consultei para o vídeo da semana. Conversei também com a Renata Monteiro, nutricionista e professora da Universidade de Brasília, que vive na Anvisa defendendo os interesses alimentares dos cidadãos brasileiros. Foi dessas conversas que eu extraí os questionamentos que coloco no vídeo, com a finalidade de fazer você pensar sobre a influência da publicidade nas práticas de consumo estimuladas desde a infância e no tipo de consumo que merece ser praticado no nosso país.
Eu também tentei falar com o pessoal da Mauricio de Sousa Produções, que é uma das maiores licenciadoras de marca para produtos voltados ao público infantil, inclusive alimentos. O Mauricio de Sousa em pessoa se manifestou contra o fim da publicidade direcionada às crianças nas mídias sociais, causando um baita bafafá. Ele tem muito a perder com a Resolução do Conanda, pois além de colocar propaganda nas revistinhas da Turma da Mônica, ele usa suas personagens para vender centenas de produtos, incluindo nuggets, macarrão instantâneo, água engarrafada, maçãs, minicenouras, minialface e muitos outros. Eu queria entender qual o critério do Maurício e sua filha Mônica (responsável pelos licenciamentos) para escolher quais produtos licenciar. Mas infelizmente até o dia da gravação do vídeo nenhuma entrevista foi agendada.
O tema é controverso, eu sei. Não pretendo que todos o enxerguem da mesma forma. Minha intenção é provocar a reflexão, o pensamento crítico, e contribuir para que o mercado de alimentos seja cada vez mais transparente. Então convido você a ver o vídeo e dar o seu pitaco construtivo. Viva a verdadeira liberdade de expressão!

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Para saber mais:
RDC n. 24, de 15 de junho de 2010

Fonte: Francine Lima.